Carregando Nossa Cruz
Reflexão sobre o significado espiritual das cruzes que carregamos, destacando a importância do esforço, da disciplina, da oração e do trabalho no Bem para o crescimento moral e evolutivo.
Todos nós enfrentamos dificuldades que precisam ser superadas com esforço, boa vontade e, acima de tudo, com inteligência voltada para o Bem. É comum, porém, que muitas pessoas utilizem equívocos e erros para justificar seus próprios problemas e limitações.
Jesus nos ensina que todo aquele que deseja alcançar o Reino dos Céus deve negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-Lo. “Carregar nossa cruz, a caminho do Cristo, será abraçar as responsabilidades que nos cabem, no setor de trabalho que ele próprio nos confiou. E, na adesão ao compromisso esposado, urge não esquecer que as nossas dificuldades podem ser modificadas, mas não extintas.” Livro: Mãos Unidas – Emmanuel
Emmanuel também nos orienta que é necessário avançar, superando os obstáculos, pois, sem eles, viveríamos na inércia. Os desafios são lições indispensáveis que favorecem nosso progresso evolutivo, moral e intelectual.
Ao vencermos as provações e as cruzes que dilaceram nossa alma, conquistamos méritos e despertamos virtudes há muito adormecidas. Devemos recordar que, por mais árduas e pesadas que sejam as nossas cruzes, devemos compreender que a nossa carga é pequena diante das dores de outros irmãos que suportam fardos muito mais pesados e sacrificiais. Ainda assim, temos a tendência de nos vitimizar e de nos colocarmos como coitados perante Deus, esquecendo-nos de olhar para as dificuldades alheias, muitas vezes mais intensas e complexas do que as nossas.
É importante também refletir que existem pessoas com sérias limitações que não se deixam dominar pelas aflições, angústias, depressão ou infelicidade. Pelo contrário, escolhem viver com alegria e dedicar-se ao Bem, mesmo diante das restrições impostas por suas condições físicas ou existenciais.
Quando nos dispomos ao trabalho no Bem, é indispensável a disciplina e o entendimento, pois ele exige renúncia — abdicar de certas vontades e prazeres em favor daqueles que sofrem e necessitam. Toda atividade no Bem requer força de vontade para superar os desafios que a boa ação impõe; caso contrário, estaremos sujeitos ao fracasso de uma ação sem compromisso e sem responsabilidade.
“Cada alma, na escola da Terra, sob a abençoada cruz da carne, conduz consigo a cruz invisível da prova, indispensável à elevação a que aspira.” Livro: Abrigo – Emmanuel
“Naturalmente, não viverás sem o instrumento de dor e luta que a existência terrestre te deu a transportar, mas se colocas o madeiro do próprio aperfeiçoamento na direção do Cristo, seguindo após Ele, no Calvário da Ressurreição, com amor e humildade, renúncia e perdão, guarda a certeza de que os braços de tua cruz se converterão na morte, em asas de espiritualidade, arrebatando-te do vale pantanoso da Terra para os topos resplendentes do Infinito.” Livro: Abrigo – Emmanuel
Se desejamos trabalhar com Jesus e buscamos nosso aperfeiçoamento como Espíritos em evolução, é imprescindível carregar as próprias cruzes para que possamos seguir firmes, rumo ao progresso espiritual e moral.
E, se diante do peso de nossa cruz nos faltarem forças para prosseguir, recordemos o Cristo, que carregou a Sua sem precisar e sem merecer, apenas para nos ensinar que todo esforço e trabalho no Bem são recompensadores. Suas atitudes nos inspiram e fortalecem, influenciando também aqueles que nos observam e convivem conosco.
Se ainda assim a caminhada parecer difícil, recorramos ao remédio da oração — o instrumento mais eficaz quando estamos em perigo ou necessitamos de auxílio do Alto. Nenhuma prece sincera fica sem resposta. E, se estivermos fortalecidos pela disciplina, sempre encontraremos em Jesus a força e a inspiração necessárias.
Que possamos carregar nossas cruzes com alegria de viver e bom ânimo, sem nos entregarmos às sombras das angústias e aflições. Afinal, aquele que vence a si mesmo vence o mundo — e dele sai renovado, com o Espírito fortalecido e revigorado.