Mediunidade e Médiuns Espíritas
Falarmos de mediunidade é necessário falarmos do médium, pois, ele sendo o instrumento de intercâmbio entre os dois mundos, requer cuidados e tratamento.
No Espiritismo, a mediunidade é uma faculdade natural, inerente ao ser humano, que possibilita a comunicação entre o mundo físico e o plano espiritual.
Temos as obras básicas como roteiro, que nos conduz a prática e ao estudo, sempre recordando a caridade como fonte de inspiração, portanto, a gratuidade da atividade mediúnica, assim como a seriedade são requisitos fundamentais para o exercício mediúnico com Jesus.
Ela não é um privilégio, um dom sobrenatural ou um poder mágico, mas uma faculdade de natureza orgânica e psíquica, que se manifesta de diferentes formas em cada indivíduo.
Ser médium não é uma tarefa fácil. A mediunidade possui aspectos positivos, mas também apresenta desafios e responsabilidades. Muitos médiuns buscam vivenciar apenas a parte prática da mediunidade. Fazem um curso — que, em muitos casos, se assemelha a uma verdadeira faculdade, com anos de estudo — e, depois de receberem o certificado de conclusão, nunca mais abrem um livro ou continuam estudando.
Entretanto, a formação do médium não termina com a conclusão de um curso. Pelo contrário, o estudo deve acompanhá-lo durante toda a sua caminhada.
Ser médium espírita requer renúncia. Muitas vezes, é necessário renunciar a determinados hábitos, comportamentos e prazeres que podem comprometer o equilíbrio espiritual. Isso exige uma mudança de sintonia em nossas rotinas diárias, deixando de lado tudo aquilo que nos aproxima das paixões inferiores, como a raiva, o ciúme, o uso inadequado do álcool e tantos outros comportamentos que podem favorecer desequilíbrios.
Ser médium espírita requer disciplina e vigilância constantes. É necessário estar amparado pela oração, cultivar hábitos sadios, equilibrados e nobres, além de manter o estudo diário e contínuo.
Quanto mais o médium aprende, compreende e se capacita para o intercâmbio com o mundo espiritual, maior se torna a necessidade de estudar. O conhecimento não pode ser abandonado.
O médium que deixa de estudar corre o risco de se deixar dominar pela vaidade, pelo orgulho e pelo egoísmo, tornando-se vulnerável e podendo transformar-se em instrumento ou joguete das influências espirituais inferiores.
“Mediunidade é aprimoramento constante, luta sem tréguas contra o personalismo, exercício de humildade, estudo e devotamento ao próximo…” O Evangelho de Chico Xavier — O Próprio (Encarnado)
Ser médium não significa ser apenas um instrumento da espiritualidade. A mediunidade exige muita responsabilidade e também um intenso trabalho nos bastidores, ou seja, em nossa própria transformação moral.
É necessário esforço diário para conquistarmos equilíbrio, perseverança, continuidade no exercício da fé e boa vontade.
Ser médium também significa estar preparado moral e psicologicamente para enfrentar as dificuldades e influências que a espiritualidade inferior pode colocar em nosso caminho, inclusive utilizando-se de pessoas que amamos ou até mesmo daquelas por quem não temos simpatia.
Nessas situações, precisamos aprender a controlar nossas emoções, nossos pensamentos e nossos impulsos. Por isso, torna-se tão importante o ensinamento de Jesus: “Vigiai e orai.”
Acredito sinceramente que esse alerta do Mestre Jesus é uma orientação que devemos carregar conosco diariamente.
O médium é um ser humano e, portanto, pode falir. Por isso, é um equívoco enaltecer médiuns como se fossem seres especiais ou diferentes dos demais. Eles continuam sendo seres humanos, sujeitos às mesmas imperfeições, dificuldades e processos de aprendizado.
Muitas vezes, o médium pode estar passando por um processo de fascinação, enfrentando dificuldades internas ou até mesmo vivenciando mecanismos de autossugestão que podem levá-lo ao desequilíbrio e abrir portas para processos obsessivos.
O médium vaidoso representa um grande perigo, não apenas para si mesmo, mas também para aqueles que o seguem.
A vaidade é uma ilusão que pode perturbar a razão e alimentar o ego, levando a pessoa a acreditar que somente ela está certa, que possui uma condição exclusiva ou que é superior aos demais.
A mediunidade segundo Emmanuel
Para Emmanuel, a mediunidade é uma faculdade sagrada de intercâmbio com o plano espiritual. Ela exige estudo constante, reforma íntima e compromisso com o bem e com o próximo, servindo como instrumento de consolo, instrução e iluminação para a humanidade.
A mediunidade segundo André Luiz
Para o espírito André Luiz, a mediunidade é uma faculdade natural inerente ao ser humano, fundamentada nas leis da sintonia, do pensamento e do intercâmbio entre os planos físico e espiritual.
Ela não é um privilégio nem um castigo, mas uma faculdade que possibilita o intercâmbio de energias e fluidos entre o mundo físico e o mundo espiritual.
Para que esse intercâmbio mediúnico aconteça, é necessária sintonia, afinidade e simpatia de ideias entre o médium e o Espírito.
Ambos precisam estabelecer uma espécie de conexão vibratória, em que pensamentos, sentimentos e tendências possam encontrar pontos de aproximação.
Por isso, compreender a mediunidade é muito mais do que aprender técnicas de comunicação com o mundo espiritual.
Mediunidade é responsabilidade. É disciplina. É estudo. É vigilância. É reforma íntima.
O verdadeiro preparo do médium não está apenas no desenvolvimento de sua faculdade mediúnica, mas, sobretudo, na transformação de si mesmo.
Quanto mais o médium se esforça para melhorar moralmente, estudar, vigiar seus pensamentos, cultivar a oração e servir ao próximo, mais preparado estará para exercer sua faculdade com equilíbrio, segurança e responsabilidade.